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  • Deise Jacinto

desta vez me dei o direito de só cantar.

com toda a minha alma, com toda a voz que um dia eu engoli.

sempre achei meu canto muito sem brilho, fosco. achei que seria melhor me olhar/fugir como compositora. 

assim minha voz poderia se esconder atras de um texto pacientemente pensado.

escrevendo eu não gaguejo, não engasgo, não falta o ar, posso voltar, apagar e esconder minhas fraquezas. 

mas no fundo, dar mais valor à compositora e se esconder atrás do violão, era só medo de mostrar a vulnerabilidade na textura da minha voz. 

sair deste lugar confortável e se expor para ser visto de verdade não foi um processo fácil, nunca é.

a professora maravilhosamente exigente que me ajudou, disse: chega de brincar de cantar! cante de verdade!

juro que cantei Amélia, juro. 

um viva aos professores que sabem cavar e achar as vozes escondidas no fundo da alma! #Cicatriz #25deoutubro

 

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  • Deise Jacinto

Este é um quadro comum, muito vendido em lojas on line. Ainda não descobri seu autor. O tenho a algum tempo aqui em casa, e sempre que estou em agonia eu olho pra ele. Por algum motivo essa tela digital me devolve pro meu eixo.

Não tenho dúvida que a arte é Deus repartindo sua beleza conosco. Eu sinto que Ele fala comigo de muitas formas.

Só de pensar nas vezes que Deus já falou e me mostrou um pedacinho da sua face através da arte, eu me emociono.

Parafraseando Roockmaker, a arte é como o encanamento de uma casa, não notamos sua presença no dia dia, mas sem ela a casa não é casa.

Já senti o amor de Deus em lugares improváveis. Uma noite deitei no tapete da sala sozinha, o Juca, meu gato veio e se aninhar ao meu lado, fechei os olhos e ouvi com atenção essa música do Djavan:

O amor é um grande laço

Um passo pra uma armadilha

Um lobo correndo em círculo

Pra alimentar a matilha

Comparo sua chegada

Com a fuga de uma ilha

Tanto engorda quanto mata

Feito desgosto de filha

Chorei. Porque diante da imensidão do amor o que sobra?

Eu tenho andado um pouco angustiada por esses dias, sentindo que o chamado que Deus me fez é maior do que posso aguentar. As vezes sinto medo, as vezes euforia.

Assim como provavelmente você, eu venho de um ambiente religioso. No meu caso, do lado protestante, histórico, conservador. Por algum motivo que ficou nas entre linhas dessa estrada, eu aprendi que escutar música produzida fora do ambiente religioso era pecado, que estaríamos nos colocando em perigo espiritual.

Hoje eu entendo melhor porque isso SEMPRE me incomodou. Simplesmente porque não é verdade.

A verdade é muito mais dolorida, e difícil de dizer. A verdade é que a fé que foi regada em nós, e que a gente prefere alimentar é muito frágil e precisa ser contida dentro de um aquário, porque a gente não suporta o oceano.

A gente não suporta que Deus também (e hoje principalmente) está fora das igrejas. A gente não aguenta descobrir que Deus ama quem a gente odeia. Dizemos em canções e sermões que Deus é amor, mas pra gente TODO E QUALQUER amor NÃO É DEUS. E eu como artista que prometi dizer a verdade, não posso mais me calar.

Quando fiz a música Final Feliz eu disse à Deus que faria sua vontade e pedi sinceramente que Ele alargasse as minhas fronteiras. Ele está fazendo sua parte, e eu preciso seguir meu coração, pois

 

conservado nele, está este sincero pedido que me trouxe até aqui.

Recentemente, depois de uma madrugada de dor, precisei às pressas, ir para o hospital retirar minha vesícula. Depois da cirurgia fui me recuperar no interior, em um lugar em meio a natureza onde sempre me traz paz.

Lá, realinhei meus objetivos, me reencontrei com meu chamado e tomei algumas decisões importantes.

Decidi sair da Sony Music Gospel, gravadora por qual eu tenho imenso carinho, que sempre entendeu minha sede pela liberdade e que me ajudou muito a crescer.

Olhando para os lados, e não encontrando uma casa que hospedasse minhas canções livres, decidi construir sua morada do zero.

Desde o começo do ano a @mangapitangamusic já atua como editora, cuidando e administrando obras e seus direitos autorais para compositores. Agora a Manga Pitanga também será um selo, uma casa para cantaautores livres.

Estou aqui fazendo questão de explicar, por carinho a vcs que me acompanham.

Estou aqui pra dizer que comecei um caminho novo e ele será de canções vivas, livres e abertas. Capazes de serem entendidas e cantadas por todos. Continuarei falando dEle, o amor.

Deus é oceano... o mesmo do Djavan. Este é o nome da playlist que criei pra vc descobrir a vida, o amor, a saudade, a fé e tudo que for humano, pois não há nada mais divino que o humano.

Estou muito animada com este novo desafio e a primeira canção que vou lançar representa este recomeço, soa como despedida. Chora como despedida, e é.

Uma despedia de uma ilha e um reencontro com o oceano.

#cicatriz #25deoutubro

 

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