Atualizado: Jan 14

 

Resolvi criar esse post, pois me sinto na obrigação de compartilhar com as pessoas o rico mundo do veganismo que descobri na cidade de São Paulo. Sim, sempre fui uma paulistana nata, porém morei durante quatro anos e meio fora do Brasil e fiquei por fora da expansão vegana que aconteceu por aqui. No entanto, após estar há um ano e meio de volta e por ser uma Magali desde o berço, já posso dizer que explorei muitas opções pela metrópole.

 

Sou vegana há mais de três anos e não como carne há mais de sete, por isso tenho tanto interesse no tema. Apesar de o veganismo ser comprovadamente ótimo para a saúde, para o meio ambiente e os animais, ele não se limita somente a isso – também pode oferecer uma riquíssima variedade de todos os tipos de alimentos e pratos que você jamais poderia imaginar. A fim de compartilhar com vocês a minha profunda alegria em relação ao mundo vegano em que vivo, segue uma lista dos melhores restaurantes de SP de acordo com a minha opinião pessoal*:

 

Lar Vegan

Conhecido como um dos restaurantes veganos mais tradicionais da cidade, tendo sido pioneiro no ramo, o Lar Vegan encanta por sua dedicação à causa e pela comida de dar água na boca. Além de oferecer um buffet completo de almoço todos os dias, o qual inclui diversos pratos quentes e frios, também realiza noites temáticas e rodízios deliciosos de pizza. Atrações como bingo, sala de jogos, aulas de yoga e de dança também fazem parte do local. Não dá para ficar entediado!

 

Minha recomendação: As noites de pizza são absolutamente incríveis, vale muito a pena conhecer.

 

R. Clélia, 278 - Perdizes, São Paulo - SP

Insta: @larvegan

 

Fratelli Basilico Pizza Vegana

Essa incrível pizzaria estritamente vegana abriu há um ano e meio no bairro do Brooklin, em São Paulo, e tem prosperado desde então. Ela oferece pizzas artesanais nos mais variados sabores, somente com ingredientes da mais alta qualidade. Opções é que não faltam: há desde aquelas de queijo vegetal e carne de jaca, até as de banana com chocolate. Fora as pizzas de berinjela e nozes, quatro queijos, marguerita, entre muitas outras para agradar até o mais exigente dos paladares.

 

Minha recomendação: Pizza Verona, a qual consiste em requecream vegano, pepperoni vegano (feito de feijão fradinho) e molho de tomate. É a máxima explosão de sabores, vale muito a pena conferir.

 

Av. Portugal, 1695 - Vila Cordeiro, São Paulo – SP https://fratellibasilico.com.br/ Insta: @fratellibasilico Dona Augusta

Essa lanchonete 100% vegana é o ápice da alimentação à base de plantas na região central da cidade. Com um ambiente simples, repleto especialmente de jovens frequentadores da região central da cidade, é um local que oferece comida incrivelmente saborosa por um preço difícil de bater. Lá você encontra sanduíches, hambúrgueres, os mais variados tipos de salgados, doces e milk shakes de cair o queixo.

 

Minha recomendação: O Hot Not Dog com uma porção de onion rings e um milk shake de chocolate. A combinação é imbatível!

 

R. Augusta, 1112 - Bela Vista, São Paulo – SP Insta: @donaaugusta

 

Recanto Vegetariano

O tradicional recanto já existe há quase três décadas e vem expandindo desde então. Munido de um enorme e delicioso buffet com uma absurda variedade de pratos veganos e vegetarianos, o local atrai todos os tipos de públicos no Brooklin Paulista. Uma de suas características principais é a origem dos alimentos servidos: a maioria são plantados e colhidos em uma fazenda orgânica gerida por seus próprios donos. Trata-se de um lugar imperdível para almoçar com amigos e família!

 

Minha recomendação: o mix de legumes orientais, quibe de trigo, nhoque e bolo de chocolate vegano. São indispensáveis!

 

R. Flórida, 1442 - Cidade Monções, São Paulo – SP http://recantovegetariano.com.br/ Insta: @recantovegetarianooficial

 

Maha Mantra

O pequeno e aconchegante restaurante foca especialmente em uma alimentação mais saudável. Localizado na Vila Madalena, oferece um buffet com menos opções, porém com pratos de alta qualidade e sabor. Além de atrair um público bastante variado, também conta com uma lojinha na entrada do estabelecimento com diversos produtos naturais e veganos.

 

Minha recomendação: Espaguete de abobrinha, trouxinhas de curry e nhoque vegano - o último tão inesquecível, que fica difícil não voltar para provar novamente.

 

R. Fradique Coutinho, 766 - Vila Madalena, São Paulo – SP Insta: @maha_mantra

 

Padoca Vegan

A estilosa e excepcional padaria paulistana oferece todos os quitutes e lanches mais amados pelo público brasileiro, porém na versão vegana. Lá você encontra pão na chapa, bruschetta, coxinha de jaca e de palmito, empada, pão de beijo (que é o pão de queijo vegano), sanduíches, sonhos, bolos, enroladinho, etc. e até alguns pratos quentes. As opções são infinitas e não deixam nem um pouco a desejar em termos de sabor e qualidade. Além de tudo, possui preços imbatíveis.

 

Minha recomendação: pão na chapa com requeijão vegano, coxinha de palmito, bolo de fubá com goiabada e sonho. Não dá para não sair rolando de lá.

 

Rua Harmonia, 1275 - Sumarezinho, São Paulo – SP Insta: @padocavegan

 

Salad Days

Localizada em um discreto sobrado no bairro residencial da Vila Mariana, essa hamburgueria vegana oferece muito mais do que parece à primeira vista. O cardápio é mais limitado, porém a comida é feita artesanalmente por uma equipe dedicada e deixa aquele gostinho de quero mais. Entre as principais opções estão hambúrgueres, hot dog, petiscos e duas opções de doce por noite.

 

Minha recomendação: Hambúrguer de brócolis com alho poró, que acompanha alface, tomate, queijo vegetal e onion rings. A combinação de sabores é incrível!

 

R. Machado de Assis, 284 - Vila Mariana, São Paulo – SP Insta: @saladdaysvegan

 

Top Vegan Music Bar

Esse restaurante espetacular foi inaugurado há apenas alguns meses e está localizado há menos de uma quadra do Conjunto Nacional na Avenida Paulista. Ao adentrar uma discreta portinha ao lado da loja do Boticário, você encontra um buffet de comidas veganas da mais alta qualidade. Pelo preço de apenas R$ 16,90, você pode se deliciar à vontade com as mais variadas opções de saladas e legumes, sushi, massas, arroz integral, lasanha de abobrinha, kibe de trigo, sopa, batatas e os mais diversos pratos quentes e frios.

 

Minha recomendação: Lasanha de abobrinha com soja, nhoque, batatas de forno e almôndegas. São de cair o queixo!

 

Rua Augusta, 1928 – Cerqueira César – São Paulo-SP

 

Pop Vegan Food

Esse restaurante vegano recém-reformado oferece um buffet de almoço durante o dia e um cardápio de deliciosas pizzas à noite. Localizado em uma travessa da Rua Augusta, tornou-se um point para um público especialmente jovem que frequenta a região. Com o preço de R$ 10,00 toda segunda-feira em comemoração à segunda sem carne, conquistou mais adeptos do que nunca.

 

Minha recomendação: A pizza de peperoni com bordas recheadas. Ela consiste em molho de tomate fresco, catupop, rodelas de linguiça temperoni (pepperoni vegano à base de tempê de feijão fradinho), orégano e azeitona preta.

 

R. Fernando de Albuquerque, 142/144 - Consolação, São Paulo – SP http://popveganfood.com.br Insta: @popveganfood

 

Espero que tenham gostado das dicas. A grande maioria desses estabelecimentos também oferece delivery e vende produtos prontos ou congelados no próprio local. Aproveitem e deliciem-se!

 

*nesse post, me limitei a mencionar os restaurantes e lanchonetes 100% vegetarianos/veganos. Em outra ocasião, mencionarei os que oferecem boas opções veganas, apesar de não serem especializados nesse ramo.

Atualizado: 28 de Dez de 2019

Nos dias de hoje, a maioria de nós já ouviu falar em inteligência emocional. No século XXI, esse termo tornou-se uma característica indispensável em muitas áreas da vida, inclusive no meio corporativo. Mas o que significa esse conceito? Trata-se de uma ideia relacionada à inteligência social, criada pelo psicólogo estaduniense Daniel Goleman. Ela divide-se entre autoconhecimento emocional, controle emocional, automotivação, empatia e desenvolvimento de relacionamentos interpessoais – um conjunto de aptidões essenciais para sermos capazes de navegar pelos obstáculos da vida de maneira saudável. Apesar dos inúmeros desafios que precisamos enfrentar diariamente, inclusive sob o viés de expectativas e cobranças constantes, podemos aprender a lidar melhor com os percalços que aparecem. Ao sabermos reconhecer e administrar nossas próprias emoções, além de conseguirmos reconhecer as das outras pessoas, seremos capazes de levar uma vida mais consciente.

De acordo com os estudos científicos mencionados por Goleman, além dos benefícios que a inteligência emocional traz às nossas vidas pessoais, ela também tem um impacto positivo em nossa performance acadêmica: “Agora é possível afirmar cientificamente: ajudar as crianças a aperfeiçoar sua autoconsciência e confiança, controlar suas emoções e impulsos perturbadores e aumentar sua empatia, resulta não só em um melhor comportamento, mas também em uma melhoria considerável no desempenho acadêmico.” Isso porque elas adquirem maior capacidade de concentração, raciocínio e confiança para estudar, o que facilita a absorção de novas informações e conhecimentos.

 

Além disso, já foi comprovado que essa competência é essencial para o cultivo de um cotidiano com menos conflitos, frustrações e inseguranças. Qualquer relação interpessoal – seja ela com a família, amigos, parceiro(a)(s), chefes ou colegas de trabalho – necessita desse tipo de inteligência para melhorar tanto sua qualidade, como sua durabilidade no geral. Como Goleman afirma: “Entre os talentos emocionais estão: autoconsciência; identificar, expressar e controlar sentimentos; controle de impulso; e controlar tensão e ansiedade. (...) Muitas aptidões são interpessoais: interpretar sinais sociais e emocionais, ouvir, ser capaz de resistir a influências negativas, considerar as perspectivas dos outros e compreender qual comportamento é aceitável numa determinada situação.”

 

Ou seja, estamos falando de habilidades aplicáveis em qualquer tipo de circunstância. Seja na hora de expressar chateação a um amigo, resolver um conflito com o chefe, vender um produto a um cliente ou terminar um relacionamento amoroso. Sim, tratam-se de situações muito delicadas. Mas considerar os sentimentos e necessidades do outro, expressar nossa opinião de maneira assertiva e respeitosa e controlar impulsos emocionais nocivos são elementos vitais para o exercício da inteligência emocional. Basicamente, ela nos ensina a lidar com os outros e com nós mesmos de maneira justa e saudável. Afinal de contas, a vida é cheia de altos e baixos e somos regularmente confrontados com situações que requerem, no mínimo, certa dose de cuidado e reflexão.

Claro, não existe fórmula mágica para ter bons relacionamentos com todos que cruzam o nosso caminho – afinal de contas, as pessoas são diferentes e não podemos controlar as atitudes dos outros. Além disso, cada um tem sua personalidade e suas preferências. Mas podemos, de fato, melhorar certos aspectos do nosso dia a dia aplicando as aptidões mencionadas acima, conforme nossas possibilidades.

 

Por que precisamos de inteligência emocional?

 

Todo ser humano se depara com diversos desafios ao longo dos anos, sejam eles relacionados à família, ao amor, à carreira, à falta de segurança, a doenças físicas e psíquicas, à perda de entes queridos, etc. Essas situações fazem parte da nossa existência, e não podemos evitá-las – portanto, o que nos resta é nos esforçarmos para lidar com elas da melhor maneira possível. Além de tudo, também devemos tomar cuidado para não deixar marcas negativas e duradouras em outras pessoas. Afinal de contas, nossas ações afetam aqueles que estão à nossa volta, por isso devemos aprender a refletir e agir com cautela em certas ocasiões.

 

A inteligência emocional também está intimamente ligada à personalidade e ao caráter de uma pessoa. Ela sabe conviver em sociedade, respeitar as diferenças, não ultrapassar limites, avaliar qual comportamento é adequado em uma determinada situação e, acima de tudo, ter empatia pelos outros? Além disso, ela sabe dizer não em situações de risco, se impor frente a injustiças e debater de maneira construtiva, quando considerar necessário? Outras características – tais como a honestidade e a humildade – são importantíssimas para o exercício dessas habilidades. Seus benefícios são incontáveis: maior equilíbrio emocional, diminuição de estresse e ansiedade, maior clareza nos objetivos, aumento de produtividade, aumento de autoestima, maior realização pessoal, entre outros.

 

Ou seja, se todos trabalharmos para desenvolvê-las, poderemos criar uma sociedade cada vez mais consciente, empática e favorável para todos. Mas, para colher esses benefícios, devemos praticar o autoconhecimento, a reflexão e a compreensão das dificuldades dos nossos semelhantes. De fato, não é fácil trabalhar características como essas - o ser humano é feito de fases, emoções, experiências, qualidades e defeitos - por isso não devemos levar todos esses conceitos à risca. Essas vivências fazem parte da nossa existência, e também tornam nossas vidas mais coloridas. Sentir e expressar emoções não é negativo em si, pelo contrário: em diversas ocasiões, pode ser algo muito bom. No entanto, não podemos esquecer nosso espírito comunitário, como descrito por Goleman:

 

“Nos países desenvolvidos, a tendência é para um individualismo exacerbado, o que acarreta, conseqüentemente, uma competitividade cada vez maior – isso pode ser constatado nos postos de trabalho e no meio universitário. Essa visão de mundo traz consigo o isolamento e a deterioração das relações sociais. A lenta desintegração da vida em comunidade e a necessidade de auto-afirmação estão acontecendo, paradoxalmente, num momento em que as pressões econômico-sociais estão a exigir maior cooperação e envolvimento entre os indivíduos.”

 

Inteligência emocional & problemas sociais

 

A falta de inteligência emocional está relacionada, acima de tudo, a diversos problemas sociais que nos assolam há décadas. Isso porque ela não está apenas ligada a questões de cunho social, mas também à resiliência e força psíquica de um indivíduo. A partir do momento em que somos capazes de lidar de forma madura e saudável com os incontáveis desafios que inevitavelmente cruzarão o nosso caminho, mais nos sentiremos confiantes e conscientes em relação à nossa própria realidade. Com o suporte de inúmeros estudos, Daniel Goleman chega exatamente ao cerne da questão:

 

“Na última década, mais ou menos, proclamaram-se ‘guerras’, sucessivamente, à gravidez na adolescência, à evasão escolar, às drogas e, mais recentemente, à violência. O problema dessas campanhas, porém, é que chegam tarde demais, depois que o problema visado já atingiu proporções epidêmicas e deitou firmes raízes na vida dos jovens. São intervenções em crises, o que equivale a enviar ambulâncias para o resgate, em vez de dar uma vacina que previna a doença.”

Para ele, o ideal seria ensinar nossas crianças e jovens a encararem situações difíceis de maneira construtiva, a fim de preservarem a própria saúde psicológica e a dignidade dos envolvidos. Desse modo, diversos problemas futuros poderiam ser evitados já nos primeiros anos de vida, pois o jovem cresceria mais fortalecido para enfrentar os obstáculos que viessem à frente. Além disso, a capacidade de resistir a influências negativas e de criar o próprio caminho é um ótimo recurso para desviá-los de um futuro possivelmente criminoso ou nocivo. Como excelentemente descrito por Christina Berndt, autora do livro Resiliência: O Segredo da Força Psíquica, “É possível que crianças fortes tenham mais coragem de romper com modelos impostos e de seguir suas próprias concepções.”

 

Goleman analisou diversos programas escolares direcionados ao desenvolvimento da inteligência emocional em crianças e jovens – especialmente àqueles em situação de risco – e chegou à conclusão de que eles fazem uma grande diferença na saúde psíquica dos alunos a longo prazo: “Além das vantagens educacionais, os cursos de inteligência emocional parecem ajudar as crianças a melhor desempenhar seus papéis na vida, tornando-se melhores amigos, alunos, filhos e filhas – e no futuro têm mais probabilidade de serem melhores maridos e esposas, trabalhadores e chefes, pais e cidadãos.”

 

Além disso, para ele, toda escola deveria dedicar-se ao ensinamento de inteligência emocional, visto que ela é essencial durante o período de desenvolvimento de um indivíduo:

 

“Como a vida em família não mais proporciona a crescentes números de crianças uma base segura na vida, as escolas permanecem como o único lugar a que a comunidade pode recorrer em busca de corretivos para as deficiências da garotada em competência emocional e social. Isso não quer dizer que as escolas, sozinhas, possam substituir todas as instituições sociais que muitas vezes já estão ou se aproximam do colapso. Mas, como praticamente toda criança vai à escola (pelo menos no início), este é um lugar que pode proporcionar às crianças os ensinamentos básicos para a vida que talvez elas não recebam nunca em outra parte.”

 

Porque o QI não define o sucesso

 

A ideia de que o QI de uma pessoa define seu grau de sucesso e prosperidade no futuro já foi desbancado há muitos anos. Isso porque esse conceito desconsidera o fato de haverem vários tipos de inteligência diferentes, como devidamente estudado e comprovado pelo psicólogo Howard Gardner. Entre os diferentes tipos constam as inteligências lógico-matemática, lingüística, musical, naturalística, corporal-cinestésica, espacial, interpessoal e intrapessoal. Ou melhor, a inteligência emocional também faz parte das principais competências de um indivíduo, especialmente ao considerarmos as habilidades inter e intrapessoais:

 

“É esse o problema: a inteligência acadêmica não oferece praticamente nenhum preparo para o torvelinho – ou para a oportunidade – que ocorre na vida. Apesar de um alto QI não ser nenhuma garantia de prosperidade, prestígio ou felicidade na vida, nossas escolas e nossa cultura privilegiam a aptidão no nível acadêmico, ignorando a inteligência emocional, um conjunto de traços – alguns chamariam de caráter – que também exerce um papel importante em nosso destino pessoal.” (Inteligência Emocional: A Teoria Revolucionária Que Redefine o Que é Ser Inteligente, de Daniel Goleman)

 

Segundo Goleman, o QI contribui com cerca de 20% para os fatores que determinam o sucesso na vida, o que deixa os outros 80% restantes por conta de outras variáveis. Dentre essas variáveis estão aspectos como classe social, inteligência emocional, sorte, entre outros não especificados. Dessa maneira, ele desbanca o mito de que a inteligência lógica (QI) é o único parâmetro para medir as capacidades intelectuais de um indivíduo.

 

Podemos aprender a ter inteligência emocional?

 

Sim, até mesmo os adultos com dificuldades nessa área podem aprender a desenvolver inteligência emocional. Para resumir, ela baseia-se na capacidade de superar crises durante a vida, utilizando suas competências pessoais e sociais para aproveitá-las tanto como parte de seu desenvolvimento pessoal, como do de outras pessoas. Além disso, já foi comprovado que é possível combater tendências genéticas e reformular hábitos profundamente arraigados que adquirimos ao longo dos anos, como evidenciado no livro Inteligência Emocional: A Teoria Revolucionária Que Redefine o Que é Ser Inteligente: “Como observam os geneticistas comportamentais, os genes, por si só, não determinam o comportamento; o ambiente em que vivemos, sobretudo quando experimentamos e aprendemos enquanto crescemos, molda a maneira de uma predisposição temperamental manifestar-se no desenrolar da vida.”

 

Para resumir, se você deseja melhorar sua qualidade de vida, se dedicar ao desenvolvimento das aptidões mencionadas ao longo desse texto é a melhor opção. Seja ao ler livros, pesquisar, dividir experiências com pessoas ou fazer cursos, você poderá exercitar o que há de melhor em você. Consultar um psicólogo ou frequentar cursos de coaching – assim como diversas palestras ligadas ao tema – também é uma ótima alternativa.

De qualquer maneira, existem passos que podemos seguir para melhorar essa habilidade – prestar atenção em nossas emoções, tentar reduzir sentimentos negativos, enfrentar nossos problemas de maneira assertiva, praticar a empatia e estabelecer nossas prioridades estão entre as melhores alternativas. Esses exercícios servem para nos dar mais controle sobre nossas emoções, sem que nos deixemos dominar por elas em situações críticas. Afinal de contas, a ideia é preservar nossa saúde psíquica, e não eliminar os sentimentos da nossa vida. Eles são, em boas medidas, vitais para o nosso desenvolvimento.

 

Não podemos ser ingênuos e acreditar que existem pessoas com uma inteligência emocional perfeita, pois nenhum ser humano atinge a perfeição. Cada um de nós trava uma luta diária contra os percalços da vida dentro de nossas próprias possibilidades, e cada um tem seus pontos fortes e seus pontos fracos. Além disso, como mencionado acima, o ambiente e a genética são grandes influências na definição dessas características em um indivíduo. Mas podemos, sim, tentar aperfeiçoar essas competências no nosso cotidiano, pois o ser humano tem grande capacidade de mudança e desenvolvimento. Como diz Goleman: “A aprendizagem emocional é para toda a vida.”

 

Por Julia P.D.

Atualizado: 3 de Out de 2018

Muitos de nós já ouvimos falar no nome Malala Yousafzai, jovem que ficou conhecida por levar um tiro do Talibã em 2012 ao tentar promover a educação para meninas em seu país, o Paquistão. Mas há muito mais história por trás desse nome do que imaginamos. Além de ser uma ativista de mão cheia pelo direito à educação de garotas no mundo todo, ela também é a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz devido à "sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação". Apesar de ter apenas 20 anos, já causou grande impacto internacional com sua militância e coragem inabalável ao denunciar os crimes cometidos pelo Talibã. Mesmo após as ameaças sofridas por sua família durante anos e o atentado cometido contra ela, Malala nunca desistiu de expor as injustiças perpetradas contra o povo paquistanês.

Nascida em 1997 no vale do Suat, no Paquistão, a jovem cresceu sendo influenciada pelo grande espírito ativista e revolucionário de seu próprio pai. O sonho de Ziauddin sempre foi construir uma escola para garantir a educação de todas as crianças locais, concedendo bolsas de estudo integrais àquelas de origem mais humilde. Após muitos percalços no meio do caminho, ele conseguiu concretizar esse desejo e tornou-se uma figura de renome no vale por sua bravura e generosidade. Quando o Talibã passou a ameaçar o povo local, Ziauddin fez questão de consolar a filha: “vou proteger sua liberdade, Malala. Pode cotinuar sonhando”. Foi também graças a ele que a jovem paquistanesa não se deixou assustar pelas ameaças à sua volta e percebeu que tinha, de fato, uma voz. Quando adolescente, foi incentivada a conceder entrevistas, a dar palestras e a escrever artigos denunciando a situação das meninas do Suat à imprensa internacional. A partir de então, ela passou a ficar conhecida mundialmente.

 

No livro Eu Sou Malala, ela descreve em detalhes toda a sua trajetória, desde a infância até 2013, ano em que a obra foi publicada. Também explica como as mulheres são discriminadas em vários níveis em sua cultura, além de revelar as dificuldades que o povo de seu vale natal sofre, como com a falta de eletricidade e de saneamento básico. Trata-se de uma biografia com muito a ensinar, tanto em termos culturais e sociais, como em termos políticos e pessoais. Apesar da tenra idade, Malala mostra ser detentora de um espírito muito evoluído, sendo capaz de transmitir valiosos ensinamentos a quem estiver disposto a ouvir. Como ela mesma afirma, “que possamos pegar nossos livros e canetas. São as nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo.” Dito isto, não podemos deixar de explorar mais a fundo os temas mencionados acima nos próximos parágrafos.

 

A realidade paquistanesa

Quando Malala ainda era criança, o vale do Suat já era assolado por problemas graves, como a ausência de eletricidade, educação precária (especialmente para meninas), carência de atendimento médico e de água potável. Ademais, na cultura paquistanesa, assim como em outros países com ideologias extremistas islâmicas do Oriente Médio, a diferença de direitos entre homens e mulheres fica extremamente evidente. Como descrito pela própria jovem, “nasci menina num lugar onde rifles são disparados em comemoração a um filho, ao passo que as filhas são escondidas atrás de cortinas, sendo seu papel na vida apenas fazer comida e procriar.” Além disso, enquanto os homens podem andar livremente pelas ruas, as mulheres têm permissão para sair de casa apenas se um parente do sexo masculino estiver presente. No entanto, a jovem Malala foi capaz de se libertar de muitas amarras sexistas graças à influência e mentalidade aberta de seu pai, que considerava essa herança cultural e religiosa injusta e sem sentido. Infelizmente, isso não impedia que ela fosse obrigada a seguir as leis impostas pelo Estado.

 

Pelo menos, a jovem ainda tinha o direito de frequentar a escola, atividade que valorizava acima de tudo. No entanto, com a tomada do poder pelo Talibã, a situação piorou muito. Os extremistas decretaram que meninas não poderiam mais estudar, pois sua obrigação deveria ser apenas cuidar da casa e da família. De fato, muitas atividades que homens podem exercer sem maiores preocupações são consideradas pecados mortais para as mulheres.

 

De acordo com Malala, muitos muçulmanos ficaram chocados com a interpretação distorcida do Corão pelos talibãs, que disseminavam o preconceito, a violência e o ódio acima de tudo. Eles proibiam os cidadãos - especialmente as mulheres - de realizarem atividades comuns do dia-a-dia, além de promoverem ataques terroristas e torturarem e executarem civis inocentes em praça pública. Porém, mesmo assim, eles acabaram recebendo apoio de boa parte da população local. Segundo Hidayatullah, amigo da família Yousafzai, essa tendência provinha de uma ausência crônica do governo:

 

“É assim que esses militantes agem. Querem ganhar os corações e as mentes do povo. Por isso, primeiro analisam os problemas locais e atacam os responsáveis por eles. Desse modo conseguem o apoio da maioria silenciosa. Foi o que fizeram no Waziristão, onde perseguiram bandidos e seqüestradores. Depois, quando tomaram o poder, comportaram-se como os criminosos que um dia caçaram.”

 

Mesmo vivendo em uma realidade restrita e perigosa, Malala e seu pai não pararam de militar a favor da educação e dos direitos básicos dos cidadãos do Suat. Em sua biografia, a jovem descreve um diálogo que teve com Ziauddin: “’Você está com medo?’, perguntei a meu pai. ‘À noite nosso medo é grande, Jani’, ele respondeu. ‘Mas de manhã, à luz do dia, sentimos a coragem voltar.’ E isso era verdade no caso de minha família. Tínhamos medo, mas ele não era tão forte quanto nossa coragem. ‘Devemos livrar o vale do Talibã, e aí ninguém terá de sentir medo.’”

 

A luta pelo direito à educação

 

Uma vez que o Talibã começou a ganhar força e dominar o vale, acima de qualquer força policial ou militar, seus integrantes sentiram maior liberdade para intimidar e ameaçar os habitantes locais. Escolas passaram a ser explodidas por homens-bomba, e era só uma questão de tempo até que o mesmo acontecesse com a escola de Ziauddin. Mesmo assim, ele decidiu mantê-la funcionando como forma de resistência contra a opressão dos talibãs. Além disso, diversos professores continuaram a lecionar, e pais de meninas continuaram a mandá-las para a escola. Como excelentemente exposto no livro Eu Sou Malala:

 

“No mundo existem 57 milhões de crianças fora da escola primária. Delas, 32 milhões são meninas. É triste, mas meu país, o Paquistão, ocupa um dos piores lugares: 5,1 milhões de crianças vão sequer à escola primária (...). Há quase 50 milhões de adultos analfabetos, dois terços mulheres – como minha própria mãe.”

 

Malala era absolutamente apaixonada pela escola. Como ela mesma afirma, “a escola era meu mundo, e meu mundo era a escola”. A jovem já tinha decidido lutar pelo seu direito à educação até o fim, não importasse o que acontecesse. Com o estímulo de seu pai e de seus professores, ela descobriu ser uma excelente oradora – dessa maneira, decidiu aceitar os convites para entrevistas e palestras da mídia internacional. O acesso à mídia se deu por meio da influência de Ziauddin, militante bastante ativo, possuidor de muitas conexões com empreendedores, políticos, jornalistas e outros ativistas.

 

Infelizmente, o ativismo de Malala representava uma ameaça crescente para os talibãs – eles a acusavam de veicular a “propaganda ocidental” e, por isso, decidiram eliminá-la. Assim, em uma certa manhã, o ônibus escolar que a jovem ocupava foi invadido por um extremista, que lhe deu um tiro à queima-roupa. À beira da morte, ela foi operada em estado emergencial em um hospital militar local. No entanto, eles não possuíam os meios necessários para tratar uma lesão de tamanha gravidade. Então ela foi enviada ao Reino Unido com a sua família em 2012, onde se recuperou e reside até os dias de hoje. Hoje em dia, ela estuda economia, filosofia e ciências políticas na Universidade Oxford. Mas ela ainda sonha em poder retornar à sua terra natal.

 

Esperança no futuro

Apesar dos meros 20 anos de idade, Malala passou por muitos percalços e realizou vários feitos importantíssimos desde a pré-adolescência. Sua ávida luta pelo direito à educação das meninas revela sua paixão por causas sociais e espírito militante. A jovem descreve um momento importante em sua biografia, no qual percebeu a sua verdadeira vocação: “Quando cruzamos o desfiladeiro Malakand, vi uma mocinha vendendo laranjas. Para cada laranja que vendia, ela fazia uma marquinha com lápis num pedaço de papel, pois não sabia ler nem escrever. Tirei uma foto e jurei que faria tudo o que estivesse ao meu alcance para ajudar a educar garotas como ela. Era essa a guerra que eu ia travar”. Decidida, ela adentrou o mundo do ativismo, no qual continua até hoje.

 

Para resumir, Malala Yousafzai é um exemplo internacional de generosidade, tolerância e consciência. Ela inspira milhões de pessoas ao redor do mundo com sua coragem, determinação e força inabaláveis. A jovem representa um símbolo de direitos iguais entre homens e mulheres e do direito à educação de todas as crianças e adolescentes, especialmente no Paquistão. Mesmo após quase perder a vida nas mãos do Talibã devido às suas crenças, ela reitera: “eles atingiram meu corpo, mas não podem atingir meus sonhos.”

 

Por Julia P.D.