• Sara Barbot

Em jeito de desabafo ...

Em jeito de desabafo hoje vou falar do estigma ainda existente face à saúde mental infantil. Ainda esta semana em contexto de consulta uma mãe me perguntava se eu achava que havia muita resistência em falar (e consequentemente assumir) a necessidade de algumas crianças terem acompanhamento psicológico ou psicoterapia. Mantendo-me fiel à minha postura frequentemente optimista respondo-lhe que acredito que essa atitude esteja a mudar. Infelizmente o tempo tem-me mostrado que afinal não é bem assim.

E o dia de hoje forneceu-me uma dura dose desta realidade e ainda só vai a meio.

O estigma ainda é muito, e existe nas mais variadas instâncias. Existe dentro das escolas (não todas mas em muitas), local onde se esperaria que os adultos fossem um modelo de cuidado e inclusão de todas as crianças, e existe em cada esforço da sociedade em mudar nomenclaturas de foro clínico inerentes à saúde mental e à deficiência. Bem sei que ao longo do tempo assistimos a uma tendência de banalizar o seu uso, retirando muitos destes conceitos do seu contexto clínico e conferindo-lhes uma conotação pejorativa.

Mas estou convicta que a constante procura em encontrar termos que não diferenciem, que não identifiquem as reais necessidades das crianças e que não espelhem a real gravidade de cada situação ou quadro psicopatologico, colocam as nossas crianças e jovens em risco. Risco de não serem ouvidos nas suas angústias, risco de não serem cuidadas nas suas necessidades individuais e risco de não crescerem saudáveis.

Inclusão não é dar um nome bonito ao que assusta, inclusão é por a mão na massa, de preferência a cinzenta, e não cruzar os braços até que aquela criança ou aquele jovem tenham o que verdadeiramente necessitam para garantir a sua saúde mental!