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Fernanda Montenegro, aos 90 anos, no comando da escrita de sua história de vida

Updated: 24 de Set de 2019

 

A A autobiografia Prólogo, Ato, Epílogo é o resultado de 18 entrevistas com a escritora e jornalista Marta Góes, sobre as quais Fernanda se debruçou acrescentando, desenvolvendo e ordenando a sequência da narrativa. O processo tomou dois anos da vida da atriz, que, junto com sua história particular, descortina para o leitor um panorama da arte brasileira - rádio, teatro e cinema - que começa nos anos 1930, quando as atrizes e as prostitutas, para poderem circular à noite, eram obrigadas a portar uma carteirinha expedida pela polícia.

Fernanda, em entrevista para a apresentação da obra, contou como se sentiu ao revirar seu baú de décadas: quando você faz um trabalho sobre a memória, tem uma melancolia dentro, não deixa de ser como uma posição de adeus, diz ela).

Considerada a maior atriz nacional, foi a primeira brasileira a ter uma indicação ao Oscar (de protagonista, em 1999, por Central do Brasil, de Walter Salles).

A descoberta de Fernanda pelo cinema se deu depois do rádio, do teatro e da tevê; seu primeiro filme aconteceu quando tinha 36 anos. Mesmo sendo um ícone do teatro brasileiro, teve apenas pequenas participações em filmes.

Críticos dizem que a consagração internacional de Fernanda com o Central do Brasil no foi fruto de sua maturidade profissional.

Nascida Arlete Pinheiro da Silva, perto de Cascadura, subúrbio do Rio, em 16 de outubro de 1929, de modesta família de imigrantes portugueses e italianos, tornou-se locutora, redatora e rádio-atriz aos 15 anos, ao passar em Concurso da Rádio Ministério da Educação.

No teatro amador, do qual participavam Nicette Bruno e Beatriz Segall, conheceu Fernando Torres, que viria a ser o marido e companheiro de toda a vida. Com ele teve os filhos Cláudio e Fernanda.

Sua estréia profissional como atriz de teatro ocorreu em 1952, com a peça Loucuras do Imperador. No entanto, sua carreira somente veio a se consolidar quando ela, o marido, os atores Ítalo Rossi, Sérgio Britto e o cenógrafo e diretor Gianni Ratto, formaram a célebre companhia Teatro dos Sete.

Desde então no palco, no cinema e na televisão, é presença contínua nos momentos antológicos e gloriosos da dramaturgia brasileira.

Prólogo, Ato, Epílogo é pontuada por memórias da atriz englobando teatro, cinema, TV e rádio. Fernanda não fala muito da política, embora tenha sido testemunha da importância das leis trabalhistas de Getúlio Vargas. Ela viveu o período de Juscelino Kubistcheck, presenciou a renúncia de Jânio Quadros e o golpe contra o governo democraticamente eleito de Jango. Golpe que deu origem à ditadura civil-militar de 1964. Fernanda fala um pouco sobre a campanha das Diretas Já, de que participou desde o primeiro ato, no dia 12 de janeiro de 1984, em Curitiba. Recorda-se de sua reação pública às decisões do ex-presidente Fernando Collor, como fechar o Ministério da Cultura. Agora assiste aos imbroglios do Lava Jato, do Vaza Jato e da pauta obscurantista de Bolsonaro: agora é pior. Antes era só político, agora é moral...

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