• accunha

Obscurantismo ataca Chico e Marighella

A JBM Producciones do Uruguai comunicou ao diretor Miguel Faria Junior que seu filme Chico: Artista Brasileiro, 2015, sobre o grande músico brasileiro, foi censurado pela Embaixada brasileira em Montevideo. A Embaixada, uma das patrocinadoras do Festival Cine de Brasil 2019, a ser realizada em outubro, avisou aos produtores do evento que o filme, que narra a trajetória musical de Chico nos últimos 50 anos, estava proibido de integrar a mostra. Leia abaixo a carta enviada pela produtora ao diretor Miguel Faria: ”

 

Caro Miguel

Gostaria de informar como finalmente chegar à estreia de CHICO no Uruguai. Juntamente com a nossa parceira ENEC, que também é distribuidora de expositores, planejávamos lançar o filme no Brazilian Film Festival 2019, que acontecerá no meio do festival e patrocinado pela Embaixada do Brasil em Montevidéu. O recebimento incorreto de uma mensagem surpresa do expositor determina que ele será solicitado a “pedir” para não exibir o filme CHICO neste festival. Se isso é lógico devido à situação política no Brasil, no Uruguai é muito sério censurar a exibição de um filme se, neste caso, a JMB Filmes de Uruguay é um distribuidor e esse ato afeta outros interesses. Em anexo, mas depois uma cópia da mensagem oficial da ENEC (devido aos parceiros sociais da ALFA / BETA) comunicando e arquivando o arquivo de áudio de uma assistente de uma dama, suponha, do Brasil, que adverte a sala da vergonha de Brasil no Uruguai.

Em Washington (EUA), Ernesto Araújo confirmou as suspeitas do cineasta Miguel Faria Júnior de que a Embaixada do Brasil em Montevidéu interferiu para que o filme Chico: artista brasileiro não fosse exibido no Brazil Film Festival 2019 .

O chanceler disse que a produtora pediu apoio da embaixada brasileira em Montevidéu para o festival. Segundo Araújo, a embaixada pediu a lista dos filmes e indicou quais seriam os de sua preferência.

Seu Jorge, Wagner Moura e Bruno Gagliasso. Foto John McDougall/AFP/Brasil de Fato

 

Outro ataque do governo à cultura brasileira levou ao adiamento da estreia no Brasil do filme Marighella, dirigido por Wagner Moura, com Seu Jorge, no papel de Marighella, e Bruno Gagliasso, que está tendo enorme sucesso no exterior.

O jornal Brasil de fato, publicou ampla reportagem sobre o assunto, feita pelo repórter Maros Hermanson e editada por Rodrigo Chagas.

Em nota, a produtora O2 Filmes informou que a estreia do longa, prevista inicialmente para o dia 20 de novembro, foi cancelada porque os realizadores não conseguiram “cumprir os trâmites” exigidos pela Agência Nacional de Cinema (Ancine).

A data escolhida inicialmente para o lançamento marcaria tanto o mês em que se completam cinquenta anos do assassinato de Carlos Marighella quanto o dia da Consciência Negra.

As verbas para a produção e comercialização do filme vêm do Fundo Setorial Audiovisual (FSA), administrado pela Ancine. A distribuição é da Paris Filmes.

Recentemente, a agência já havia negado dois pedidos da produtora O2 Filmes referentes à Marighella. O primeiro dizia respeito ao reembolso de parte do dinheiro investido na produção do longa, no valor de R$ 1 milhão. O segundo pedia adiantamento de verbas de comercialização, referentes justamente ao lançamento do filme.

“É impossível não pensar que existe uma articulação política para criar esse tipo de ambiente", disse o diretor Wagner Moura à revista Época na ocasião. Ele já previa, então, que a negativa da Agência poderia atrapalhar a estreia do filme.

A O2 responsabilizou a demora da Ancine em ratificar o repasse de verbas do FSA.

Desde o início do governo, Jair Bolsonaro (PSL) vem declarando que pretende ampliar o controle sobre as produções audiovisuais brasileiras apoiadas pela Ancine.

A Agência tem orçamento anual de quase R$ 1 bilhão, e o setor do audiovisual movimenta anualmente R$ 25 bilhões.

 

A nota divulgada pela O2 Filmes:

Nós, produtores do longa-metragem Marighella, dirigido por Wagner Moura, anunciamos que a data de lançamento do filme nos cinemas brasileiros, divulgada anteriormente para 20 de novembro de 2019, está cancelada.

Os produtores haviam escolhido o mês de novembro, que marca os 50 anos de morte de Carlos Marighella, e o dia 20, da Consciência Negra, para a estreia. No entanto, a O2 Filmes não conseguiu cumprir a tempo todos os trâmites exigidos pela Ancine (Agência

Nacional do Cinema).

Marighella segue sendo apresentado com muitos sucesso em vários festivais de cinema no mundo. Nosso objetivo principal sempre foi a estreia no Brasil. Os produtores e a distribuidora Paris Filmes vão seguir trabalhando para que isso aconteça.

8 views