Saúde da Mulher: Uma análise franca sobre a assistência da saúde suplementar fornecida para elas.

 

Cuidados específicos e atenção para a prevenção são primordiais para a saúde da mulher. O público feminino deve ter um cuidado específico que engloba cuidados com a saúde e certas políticas assistenciais.

 

Com base nisso, foi considerado o período entre 2011 e 2017 para analisar a relação das mulheres com a saúde e os procedimentos realizados, sustentados pelo Mapa Assistencial da Saúde Suplementar, manejado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Conscientes deste número, é possível levantar uma discussão acerca da assistência fornecida pelas mulheres e de como funciona esta procura.

 

23% da população brasileira tinha plano de saúde de assistência médico-hospitalar até 2017. Destes, 53% era composto pelo público feminino, majoritariamente residentes da região Sudeste (58%). A maior parte delas possuía um plano vinculado à planos coletivos empresariais, aqueles onde os contratantes fornecem o benefício ao trabalhador. Mesmo com estes números, foi observado que entre 2014 e 2017 aconteceu uma queda no número de assegurados por planos de saúde e essa tendência não era exclusiva para mulheres (apesar de os homens serem os maiores desistentes). Uma explicação para esta tendência foi a redução do PIB (Produto Interno Bruto), a queda do rendimento mensal e a elevação do desemprego. Com uma estabilidade financeira menor, começam os cortes de gastos.

 

Fora o câncer de pele, o de mama é o mais ocorrente em mulheres no país, sendo a principal causa de morte deste público. A redução de mortalidade é extremamente possível através do diagnóstico precoce realizado pela mamografia. 5 milhões de exames do tipo foram realizados em 2017, aproximadamente 2 milhões na idade prioritária que vai dos 50 a 69 anos. Foram 46 mil mamografias a menos do que as realizadas na faixa prioritária no ano anterior.

 

Já o câncer de útero é o terceiro mais ocorrente, sendo a quarta causa de morte para as mulheres. Mesmo com estes dados alarmantes, a chance de cura é de 100% quando em estágio inicial. O exame de citopatologia cérvico-vaginal (o conhecido preventivo Papanicolau) é um dos principais exames para detectar a anormalidade. Em 2007, foram 6 milhões de procedimentos, sendo 4,3% menos do que no ano anterior. O declínio acontece desde 2015, muito provavelmente ocasionado pela igual queda no número de beneficiárias de planos de saúde. Em 2011, eram aproximadamente 46 preventivos a cada 100 mulheres, comparados com 42 no ano de 2017.

 

No âmbito dos partos, ainda é crescente a escolha por cesáreas. Na área de concepção, envolvendo dispositivos, medicamentos e procedimentos que evitam a gravidez, destacam-se na saúde suplementar os implantes de DIU (dispositivo intrauterino) e as laqueaduras tubárias. Neste caso, aumentou em 58% o número de laqueaduras entre 2011 e 2017, enquanto a colocação de DIU quadriplicou, num percentual de 313%.

 

Apesar destes últimos dados mostrarem que as mulheres continuam se cuidando, a queda de exames preventivos atrelada ao abandono dos planos de saúde é preocupante, especialmente ao considerar que os números mostram que as doenças decorrentes são as principais causas de fatalidade feminina.

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