Serra Catarinense - Uma Aventura de 3 Dias

Updated: Jan 18

Sobre se hospedar em hotéis que você não consegue contar as estrelas, mas sim observá-las e tê-las como plano de fundo da vida real. Voltei dessa trip pensando: em um final de semana, tenho mais histórias pra contar do que uma pessoa em sua vida inteira. Não julgamos a vida do outro, só refletimos sobre como usamos nosso tempo com o foco em outras coisas, deixando de lado o que realmente importa. Aproveite mais o momento, olhe para o céu, observe mais os detalhes, esteja em contato com a natureza. A vida é mais do que correr contra o tempo! Viva o tempo, desacelere e sinta-se vivo! 💚 Embarque nessa viagem com a gente, abaixo um relato completo dessa incrível experiência.

Carro com serra catarinense ao fundoCarro com serra catarinense ao fundo
Foto: Brayan Linhares / Mundo de Quintal

Você já parou para pensar quanta história um dia pode contar?

Seguindo á máxima que se aventurar é sair do sofá, eu Brayan e mais 3 amigos (Thiago, Léo & Fernando)nos reunimos para vivenciar o máximo de experiências possíveis em 3 dias. Alimentamos esses pensamento por cerca de 1 mês, esperamos o dia da partida ansiosamente, pois tínhamos um objetivo: enfrentar temperaturas negativas.

Saímos do litoral catarinense em direção a serra, na manhã da partida faziam 16º, temperatura normal para o inverno. A medida que avançávamos em direção ao nosso destino, Coxilha Rica em Lages, a temperatura ia caindo.

 

Resolvemos fazer um wild camping as margens do rio Pelotinhas, onde chegamos no final da tarde com o frio já marcando presença. Todo caminho desde o centro de Lages até o ponto de wild camping é incrível, foram cerca de 20km de estradas de terra cercadas de muros de Taipa, tradicionais nessa região. Pegamos um pôr do sol sem igual na estrada, campos a perder de vista, e aquele céu incrivelmente rosa.

Chegando as margens do rio, a primeira preocupação foi aproveitar o final de tarde para montar acampamento, e para quem gosta de arriscar no “fora da estrada”, ainda tem uma travessia e rio para fazer. A medida que a noite foi chegando a única luz no acampamento vinha da fogueira e das estrelas. Que maravilha estar longe da cidade e poder avistar um céu tão estrelado, daqueles que te faz passar minutos em silêncio admirando toda aquela beleza.

O Frio Chegou!

Aproveitamos a fogueira para fazer um churrasco, foi aí que vimos que cada vez mais o frio marcava presença, a carne mal saia do fogo e já estava gelada. Bastava se afastar da fogueira e já dava para sentir o frio queimando a pele, parece que a força dos pensamentos estava dando certo, o frio chegava para valer. Perto das 22h o chão já estava tomado de uma leve camada de gelo, saí para caminhar e fotografar as estrelas e ao voltar para o acampamento a barraca já estava com uma camada considerável de gelo, tinha gelo por tudo e o frio tomava conta de vez! Foi a oportunidade perfeita para testar meu novo saco de dormir que prometia se sair bem em temperaturas de até - 5º, e de fato dormi muito bem, apesar de acordar com o rosto queimando do frio. Acordamos por volta das 5h30 para garantir o nascer do sol, e ao levantar veio a surpresa, minha barraca tinha congelado até por dentro, uma camada espessa e dura de gelo criou no interior, no momento foi algo surreal.

Acampamento a beira do rio com geada ao amanhecerAcampamento a beira do rio com geada ao amanhecer
Foto: Brayan Linhares / Mundo de Quintal

Subimos uma colina para ver o sol nascendo, o frio era intenso e a medida que o sol despontava o cenário ficava cada vez mais incrível, a luz suave do sol fazia tudo que estava coberto de gelo refletir, nosso Brasil é incrível! Voltamos para o acampamento e me surpreendi, meu copo com suco que deixei exposto na mesa estava congelado, mesmo com sol batendo há alguns minutos. Ainda tínhamos muito chão pela frente, desmontamos acampamento e partimos para mais 70km de estradas de chão.

 

Saímos por volta das 10h da manhã com o objetivo de parar em algum lugar tranquilo a beira da estrada e fazer nosso almoço. O carro, uma Nissan Pathfinder 1990 4x2 seguia firme naquelas estradas esburacadas, nessa região andávamos por longos períodos sem passar por ninguém, passamos por uma vila com uma igreja, uma dúzia de casas e um bar, até pensamos em parar mas seguimos viagem, o tempo era curto e queríamos chegar antes do pôr do sol em Bom Jardim da Serra, além dos 70km de estrada de chão tínhamos mais 150km de asfalto pela frente. Quebramos no meio do nada!

Um dos prazeres de se jogar na estrada de carro é curtir o silêncio e o vento no rosto, tomamos um susto quando esse silêncio foi quebrado por um estrondo seguido de uma perca de controle do carro, Thiago estava na direção e mesmo se esforçando para arrumar a trajetória do carro, ele insistia em ir para fora da estrada, devíamos estar a uns 40km/h, o que ajudou a parar o carro antes de sairmos da pista. Ao descer veio a surpresa de todos, a roda dianteira estava completamente de lado, evidenciando que algo importante tinha quebrado, tudo bem só estávamos a 20km da “alma viva” mais próxima e sem sinal de celular.

 

Carro quebrando em estrada desertaCarro quebrando em estrada deserta
Foto: Brayan Linhares / Mundo de Quintal

Quando nos encontramos em situações assim, a primeira coisa que se passa na cabeça é: como resolver? Já que não disponhamos de nenhum recurso adicional ao que tínhamos dentro no carro. Thiago, o Motorista e dono do carro é mecânico, fez uma varredura inicial e descobrimos que tínhamos perdido 2 dos 4 parafusos que seguram o pivô, restou um bom e outro quebrado. Utilizamos dos recursos que tínhamos na estrada, como pedras e galhos, erguemos o carro, tiramos as rodas e o Thiago conseguiu fazer uma adaptação com os parafusos da roda que estava boa, perdemos quase 2hrs para resolver esse problema e então continuamos rodando, com o atraso a fome até passou.

Imagem Aérea do local que o carro quebrou, aquele pontinho preto logo abaixo (foto 2).

 

Uma noite de vento e estrelas.

Mais 2hs chacoalhando contra o tempo dentro do carro e alcançamos o asfalto, aí é procurar um posto, abastecer, revisar o conserto provisório, comer e pegar mais 150km rumo ao Cânion do Funil. O Motivo da pressa para chegar ainda de dia é que da rodovia até o ponto do wild camping são 7km de trilha, fazer ela no escuro não seria nada fácil.

Como já tínhamos esgotado nossa cota de sorte por um dia, acabamos chegando já a noite. Cânion do Funil fica em uma propriedade privada, é necessário contato prévio com o responsável Miguel, a entrada também só é liberada para 4x4, é comum até os carros mais preparados atolarem por lá, mal sabia o Miguel que a Pathfinder tinha alma de 4x4.

Para não correr o risco de atolar colocamos correntes no pneu, confesso que na hora o Sr. Miguel não entendia o motivo das correntes, preferimos não falar sobre o 4x2, vai que ele nos privaria de entrar. Combinamos que se algo não saísse como planejado, iríamos resolver entre nós, e dessa forma não incomodaríamos o Miguel, pelo menos até o amanhecer.

 

Utilizamos uma rota gravada do aplicativo Wikiloc para nos guiar dentro da propriedade, de dia fica mais fácil se guiar pelos rastros dos carros, mas a noite estava impossível. O maior problema foi que a rota que seguimos já era antiga, e os caminhos que ela indicava estavam intransitáveis. Não foi fácil entrar no ritmo e fazer o caminho render, no começo perdemos a corrente, se metemos em lugares sem saída, caminhos errados e por aí vai. Depois que se acertamos foi só alegria, na duvida alguém ia de lanterna vasculhando o caminho, tentando encontrar o trilho certo e fugindo dos atoleiros. Tínhamos a nosso favor a altura da camionete, que evitava de enroscar em alguns obstáculos, na falta do 4x4 o que nos salvava era escolher a melhor rota, em determinada hora vimos um par de lebres enormes correndo em meio a vegetação, com sorte se pode avistar vários animais silvestres por lá. Depois de quase 2hs para fazer os 7km chegamos ao ponto de acampamento!

 

Barracas a beira do cânion, com céu estreladoBarracas a beira do cânion, com céu estrelado
Foto: Brayan Linhares/Mundo de Quintal

Acampar na borda de um cânion é uma sensação diferente, você vê as luzes da cidade lá embaixo, sabe que ali há poucos metros tem uma fenda enorme que durante a noite some em meio ao horizonte, então você monta acampamento e mantém sua margem de segurança, o engraçado é que você não vê a borda, mas de alguma forma parece sentir que ela está ali, a poucos metros. O frio da noite anterior já não marcava mais presença, o que era muito presente era um vento forte e quente, acredito que durante a noite a temperatura tenha ficado na casa dos 15º, assim como na Coxilha Rica o céu estava incrivelmente estrelado, fiz várias fotos (postei muitas no @mundodequintal) e a medida que o vento foi apertando decidi ir dormir. Thiago estava dormindo na barraca de teto do carro, Fernando decidiu dormir dentro do carro por conta da sua barraca ser imprópria para aquelas condições, eu e Léo dormimos cada um na sua barraca, um modelo de barraca técnica que seria segura para essas situações, era o que eu pensava.

 

Barraca iluminada a noite, céu estrelado e silhueta de Homem observando a via láctea Barraca iluminada a noite, céu estrelado e silhueta de Homem observando a via láctea
Foto: Brayan Linhares / Mundo de Quintal

Como a noite estava quente, deixei uma beirada da barraca aberta, e a medida que o vento aumentava fazia barulho e mais barulho. Fiquei com preguiça de fechar e acabei demorando para dormir, acordei por volta das 4h da manhã e não dormi mais, só olhava para o teto da barraca com suas varetas envergando, fiz o possível para tentar “reforçar” a estrutura mas o vento só piorava, por situações vividas antes acredito que o vento tenham chego a casa dos 70km/h, resolvi levantar e para minha surpresa todos estavam meio acordados, o carro chegava a balançar com a força do vento. Decidi começar a tirar minhas coisas do carro antes que o vento aumentasse ou a chuva se pronunciasse. Quando estava chegando na porta da barraca uma vareta se soltou e veio direto para o meu rosto, daí em diante a barraca começou a se desmanchar como um castelo de cartas. Definitivamente gastamos toda nossa sorte no dia anterior. Já não bastava a correria para tirar as coisas da barraca e guardar, o vidro da porta do carro caiu com o vento e enquanto eu tentava recuperar a barraca, Thiago e Fernando arrumavam o vidro. Antes do amanhecer tivemos que desmontar todas as barracas por conta do vento, a barraca de teto do Thiago até fechou com ele dentro. Nessa hora já estávamos cercados por raios e nuvens carregadas.

 

Depois de tudo desmontado, o vento começou a diminuir e o céu carregado deu lugar a uma nebulosidade com abertura de sol. O Sol nasceu e até despontou uns raios no horizonte, um espetáculo a parte, curtimos a vista e seguimos em direção ao asfalto.

 

 

A volta pela trilha foi bem mais tranquila, com tudo claro e visível não teve erro. Saímos a 2km da imponente Serra do Rio do Rastro, descemos sem pressa suas curvas sinuosas e fomos em direção ao município de Orleans. Já que passamos 2 dias em cima da serra, decidimos encerrar nossa aventura de final de semana vendo as belas formações rochosas de baixo. Seguimos em direção a comunidade rural de Três Barras, 13km de estrada de chão e chegamos bem próximos ao “pé” da serra. Vendo de baixo compreendemos a grandeza dos cânions e suas formações, cenário típico de filme mas não está nas telas e sim no nosso quintal. Dessa forma encerramos 3 dias de muito chão e histórias para contar, afinal, se aventurar é sair do sofá.

 

 

Silhueta de uma Araucária com céu estrelado ao fundoSilhueta de uma Araucária com céu estrelado ao fundo
Foto: Brayan Linhares / Mundo de Quintal

Em Breve tem vídeo dessa aventura no nosso youtube! Rota atualizada para Canion do Funil:https://pt.wikiloc.com/trilhas-off-road/canion-funil-4x4-rota-atualizada-25637101

 

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